Foto da arma.


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Cano.



Um dos sistemas que a Beretta
incorporou à espingarda Xtrema2 a fim de reduzir o recuo e a vibração dos
disparos está na estrutura do cano.

Trata-se de um cano "overbored", ou sobrevazado, i.e., com um
segmento de paredes internas paralelas que se seguem a outro segmento de
paredes convergentes. Quando os projéteis passam da região cônica do cano para
a região cilíndrica, ocorre uma queda na pressão interna do sistema que traz
três consequências: (1) redução de recuo, (2) alguma perda no poder de
perfuração ("penetrating power") dos projéteis e (3) alguma perda,
que pode ser considerada desprezível, no alcance efetivo dos disparos.




Abaixo, vê-se uma figura representando a seção longitudinal de um cano de
espingarda da fabricante Fabarm, também italiana, cujas armas, me
parece, podem ter servido de inspiração à equipe da Beretta para a construção
de alguns sistemas presentes na Xtrema2:










A estrutura interna desse cano, mais complexo que o da Xtrema2, compreende um
cone de forçamento à base; uma região longa "overbored", cilíndrica e
lisa, em que ocorre queda de pressão interna; um segundo segmento cônico; e,
por fim, um choke cilíndrico.
O cano da Xtrema2 é forjado a frio em aço especial.



Culatra.

Este vídeo abaixo mostra distintamente, através de uma animação, como funciona um dos inovadores sistema de compensação de recuo incorporados na arma.
Trata-se de um amortecedor hidráulico

bem semelhante aos que se vêem em automóveis. Esse amortecedor, alocado
na culatra da arma, funciona como mola de recuperação auxiliar do
ferrolho, embora deva haver certamente uma outra mola recuperadora
principal, e elimina uma grande parte do recuo e da vibração do
sistema. Estupenda idéia.






Coronha.


Este outro vídeo mostra como funcionam os sistemas de redução de recuo
postados na coronha da Xtrema2, com molas e outros dois amortecedores
hidráulicos. Tal sistema, isoladamente, seria responsável por uma redução
da ordem de sessenta por cento no "coice" da espingarda, o que é possível, pois as
molas devem gerar um vetor de sentido oposto ao do recuo mesmo que o atirador não apoie a arma no ombro.








Sistema de operação.

Este último vídeo do Youtube, também postado na conta da Beretta, e que
vale a "saga" inteira, mostra todo o sistema de operação da Xtrema2
em funcionamento como que "radiografado". Aos 0:25 minutos, vê-se a entrada no
pistão das emanações oriundas do evento de gases e da câmara de combustão. A mola
recuperadora do pistão também gera um vetor de sentido oposto ao do
recuo, trabalhando contra este, de modo que se inclui com justiça entre
os sistemas que cooperam para a redução do "coice" da espingarda. Por esta altura é tempo de dizer que se trata realmente de uma linda arma e de uma criatura mecânica deveras cativante.





Porém,
se atirar com essa arma é muito fácil, levar a cabo a sua manutenção é um
pouco mais trabalhoso e complexo do que cuidar de uma espingarda
semiautomática que opere por recuo e inércia. Operação a gás importa acúmulo de
resíduos que devem ser limpos ocasionalmente.

Ainda no vídeo acima, entre os 0:50 e os 0:53 minutos de exibição,
vê-se como engatilhar manualmente a Xtrema2 por meio de uma alavanca
lateral alocada sobre a janela de alimentação e como desengatilhá-la,
fazendo uso da tecla do sistema desarmador ("decocker").

A cabeça do ferrolho leva um trancamento giratório de dois ressaltos.